domingo, 7 de abril de 2013
Pinheiral e a água que vem do Rio Paraíba
Publicado em 07/04/2013, às 10h31
Última atualização em 07/04/2013, às 10h31
Jorge Luiz Calife
jorge.calife@diariodovale.com.br
Colunista: Jorge Calife
"Há algo de podre no reino da Dinamarca" dizia o personagem da tragédia "Hamlet", de Shakespeare. Pinheiral no inverno pode ser escura e nebulosa como a Dinamarca do príncipe de Shakespeare. E lá também tem algo podre no Rio Paraíba do Sul. E coisas muito piores. Há algo sinistro acontecendo em Pinheiral e só não percebe quem não quer ou quem é muito desinformado.
Na década passada, já vão uns dez anos, uma ONG fez uma pesquisa no Rio Paraíba do Sul, no seu trecho mais poluído, entre Volta Redonda e Barra do Piraí. É justamente ali que é captada a água que a população de Pinheiral consome, pagando um preço salgado por isso. O pessoal da ONG recolheu os peixes que ainda vivem no rio e constatou uma coisa assustadora. Quase todos eles tinham tumores ou estavam deformados devido aos resíduos químicos dissolvidos na água do Paraíba.
De lá para cá comecei a notar outra coisa preocupante. É comum dos cachorros de rua de Pinheiral aparecem com tumores e morrerem disso. E não são só os cachorros de rua. Aqueles que têm dono e vivem dentro de casa e de quintais, também apresentam uma alta taxa de mortes por câncer. Meu vizinho teve que sacrificar o cachorro dele porque tinha vários tumores nas pernas. O gato de um rapaz que mora no final da minha rua também teve câncer.
Meus leitores regulares, devem se lembrar da Kiara, aquela cadela preta e branca que foi atropelada em agosto do ano passado e virou estrela aqui do Espaço Aberto. Kiara também morreu de câncer. O tumor apareceu no fígado dela no final de setembro. A veterinária disse que era inoperável e deu um mês de vida para ela. E Kiara faleceu no dia 28 de outubro.
João Marcos Coelho
Kiara: Como outros cães de Pinheiral, ela morreu de câncer
Em comum
O que há em comum entre os peixes deformados do Rio Paraíba e os animais domésticos de Pinheiral? Todos eles bebem água que vem do Rio Paraíba. Vejam bem, estou apenas apresentando uma hipótese, uma desconfiança, que deveria ser investigada não só pelo bem dos animais, mas pelo risco que apresenta para a população de Pinheiral. Lá a água que sai das torneiras passa pelo tratamento clássico para a eliminação de resíduos orgânicos. A água é filtrada, decantada, recebe cloro e vários outros compostos químicos para ganhar uma aparência de água potável. As vezes ela chega na torneira meio turva. Conheço uma moradora, recém-chegada na cidade, que ficou assustada ao tentar lavar a roupa com a água da torneira. As roupas brancas ficaram amareladas.
Outra coisa estranha é uma lama amarelada que se acumula no fundo das caixas d'água. Minha vizinha diz que é hidróxido de alumínio usado no processo de tratamento da água. Não sei, vou pesquisar o assunto. Mas posso garantir que aquele sedimento fede e torna necessária a limpeza das caixas de água várias vezes por ano. Outro fenômeno estranho é um forte odor, semelhante a cheiro de iodo que toma conta do banheiro sempre que usamos o chuveiro para tomar um banho.
Tudo isso deixa os moradores de Pinheiral com medo de consumir a água da torneira. A maioria, como eu, só bebe água mineral. Conheço gente que também cozinha com água mineral o que é meio dispendioso. Mas na hora de usar aquela água estranha para fazer um arroz ou uma feijoada, o medo do câncer assusta mais do que o preço da água mineral. Meu irmão costumava ir buscar água em uma mina a um quilômetro da casa dele para não ter que tomar a água da torneira.
Toda essa preocupação é justificada. Porque o processo convencional de tratamento de água elimina os coliformes fecais, os resíduos orgânicos, mas não vai eliminar os metais pesados e as substâncias cancerígenas que estão dissolvidos na água do Paraíba. Sei que é difícil encontrar uma alternativa para a captação de água, mas acho que a prefeitura da cidade devia pensar com atenção nesse problema.
Leia mais: http://diariodovale.uol.com.br/noticias/0,71742,Pinheiral-e-a-agua-que-vem-do-Rio-Paraiba.html#ixzz2PowqyHIO
sábado, 6 de abril de 2013
Terreno cedido pela CSN em Volta Redonda está contaminado com substâncias cancerígenas
http://www.ebc.com.br/noticias/saude/2013/04/terreno-cedido-pela-csn-em-volta-redonda-esta-contaminado-com-substancias
Isabela Vieira - Agência Brasil04.04.2013 - 11h44 | Atualizado em 04.04.2013 - 11h54
Rio de Janeiro – Está contaminado com substâncias cancerígenas um terreno cedido pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) para a construção de casas de funcionários, em Volta Redonda, no sul fluminense. A informação foi confirmada hoje (4) pela Secretaria Estadual do Ambiente, que recebeu a denúncia.
De acordo com nota do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que investigou o solo do terreno, centenas de moradores da localidade estão expostos a substâncias perigosas como o ascarel, que é cancerígeno. "Segundo as análises, o terreno apresenta contaminação em nível intolarável à saúde", afirma em nota.
Durante coletiva de imprensa nesta manhã, técnicos do órgão vão detalhar o potencial de risco aos moradores e divulgar o resultado das análises. Também serão reveladas medidas contra a CSN, "que ocultou o dano ambiental".
A empresa informou que vai se manifestar depois da coletiva de imprensa.
Edição: Denise Griesinger
Governo do Rio pede retirada de famílias de área contaminada em Volta Redonda
http://www.ebc.com.br/noticias/saude/2013/04/governo-do-rio-pede-retirada-de-familias-de-area-contaminada-em-volta-redonda
Isabela Vieira - Agência Brasil04.04.2013 - 14h37 | Atualizado em 04.04.2013 - 16h33
Terreno cedido pela empresa a 750 famílias está contaminado com substância cancerígena. (foto: Governo do Estado do RJ)
Rio de Janeiro - Cerca de 750 moradores do bairro Volta Grande 4, no município de Volta Redonda, no sul fluminense, devem deixar suas casas imediatamente por risco de contaminação tóxica. A recomendação foi feita pela Secretaria Estadual do Ambiente à Justiça Estadual, que analisa ação civil pública contra a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). A empresa pode ser multada em até R$ 50 milhões.
O bairro, de 10 mil metros quadrados, foi construído em cima de um terreno doado aos funcionários pela CSN e que está contaminado com metais pesados e cancerígenos, como o cádmio. Essas substâncias foram encontradas em uma quantidade até 2,5 vezes acima dos limites toleráveis à saúde, constatou o órgão ambiental, com base em estudos técnicos. A multa deve ser anunciada até a próxima segunda-feira (8).
"Descobriu-se, muitíssimo recentemente, uma massa de produtos ilegais que contaminou toda essa área. Por isso, essas pessoas têm que sair imediatamente dali. E, talvez, as outras [vizinhos] também tenham. Elas estão expostas e ficaram expostas por muito tempo a níveis de contaminação insuportáveis para a saúde humana", disse o secretário Carlos Minc.
Além da retirada das 300 famílias, a Secretaria do Ambiente recomenda que a empresa remova as substâncias tóxicas do terreno, descontamine o solo e apresente imediatamente estudos técnicos relativos a uma área em frente, onde moram mais 1,5 mil pessoas. Esse estudo foi pedido há um ano, mas ainda não foi entregue.
Carlos Minc: "famílias estão expostas a níveis de contaminação insuportáveis para a saúde humana". (foto: Marcello Casal Jr. / ABr)
De acordo com o Minc, em decorrência da investigação do Ministério Público Estadual, desde 2004 a secretaria cobra estudos sobre a contaminação no bairro.
Técnicos da pasta dizem que os documentos apresentados pela CSN nunca foram conclusivos. Para evitar estender a situação, com base no último relatório, a Secretaria do Ambiente complementou as investigações.
A equipe no local constatou que em 13% das residências há o plantio de hortaliças e frutas como como acerola, limão, coco e laranja. Os especialistas também estimam a contaminação do lençol freático. O secretário disse que as árvores do local deverão ser cortadas.
O órgão ambiental acredita que o local contaminado era utilizada pela siderúrgica como de área de transbordo. "Recentemente, se descobriu uma massa enorme de produtos químicos criminosamente despejados lá e que são eles [CSN] os responsáveis pela contaminação do solo e, provavelmente, da água", concluiu Minc.
O governador do Rio, Sérgio Cabral, a prefeitura de Volta Redonda e órgãos de saúde também foram avisados do resultados dos estudos pela secretaria.
Procurada pela Agência Brasil, a CSN ainda não se pronunciou.
Edição: Juliana Andrade
Maioria das famílias que moram em terreno contaminado em Volta Redonda não quer deixar o local
http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2013/04/maioria-das-familias-que-moram-em-terreno-contaminado-em-volta-redonda-nao
Flávia Villela - Agência Brasil05.04.2013 - 17h25 | Atualizado em 05.04.2013 - 17h48
Rio de Janeiro – A maioria das 750 famílias na localidade de Volta Grande IV, em Volta Redonda, sul fluminense, não quer sair de suas casas, mesmo sabendo que o solo está contaminado com substâncias cancerígenas. O pedido de retirada dos moradores foi divulgado ontem (4) pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). A medida foi tomada por uma denúncia do Ministério Público.
A dona de casa Danuza Ferreira, que vive no bairro há 15 anos, disse que a informação sobre a contaminação do solo não pegou ninguém de surpresa. Embora reconheça que o terreno de 10 mil metros quadrados, doado pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), deva ser evacuado para o bem de seus habitantes, a maioria não tem para onde ir.
“A gente já sabia que o terreno está contaminado segundo vários laudos, inclusive um feito por solicitação da própria CSN. A gente se preocupa com a nossa saúde, mas a maioria não quer sair por insegurança, por não saber para onde ir. Porque aqui muita gente construiu a casa dos sonhos e de repente falam que teremos que ser removidos. Aqui temos uma estrutura ótima, com mercado, farmácia, hospital, tudo perto”, disse.
Danuza, que é membro da Comissão Voluntária do Volta Grande 4, disse que é uma das poucas moradoras que deseja deixar o local. Segundo ela, o marido desenvolveu alergias e problemas respiratórios e a filha tem leucopenia, redução do número de leucócitos, que causa queda da imunidade, devido ao contato com produtos químicos industrializados, como cádmio e arsênico.
“Quero sair daqui sim, mas para um lugar seguro, onde a gente se sinta tranquilo e reparado. A nossa luta é conseguir agora um lugar decente para nós”, declarou.
O advogado das famílias que moram no terreno contaminado, no bairro Volta Grande 4, Igor Alexei de Castro, informou que os moradores já acionaram a CSN e pedem na Justiça reparação moral e material. Eles também reivindicam um local seguro para morar. Segundo o advogado, tanto a CSN como o Inea foram omissos durante muitos anos.
“A CSN omitiu informações e obstaculizou informações, mas temos documentos que afirmam no laudo técnico que há substâncias tóxicas acima do permitido no solo. E a antiga Feema [Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente ], que hoje faz parte do Inea, fez vista grossa e aprovou o projeto de instalação do condomínio no final dos anos de 1990, mesmo sabendo que área havia sido um depósito de resíduos tóxicos”.
A CSN informou, por meio de nota, que já fez, sob supervisão dos órgãos ambientais, mais de cinco “amplos estudos nos últimos 13 anos a respeito do bairro Volta Grande 4 e nenhum deles apontou perigo ou risco iminente à saúde dos moradores”. Na nota, a empresa declara ainda desconhecer o conteúdo do laudo divulgado ontem (4) pela Secretaria do Meio Ambiente do Rio.
Até o fechamento desta matéria o Inea não havia respondido à solicitação da Agência Brasil sobre as declarações do advogado das famílias que moram no terreno contaminado.
Edição: Aécio Amado
Direitos autorais: Creative Commons - CC BY 3.0
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Fiscalização Ambiental de Barra Mansa apreende pássaros silvestres
http://www.folhadointerior.com.br/v2/page/noticiasdtl.asp?id=55692&t=Fiscaliza%C3%A7%C3%A3o+Ambiental+de+Barra+Mansa+apreende+p%C3%A1ssaros+silvestres&utm_medium=twitter&utm_source=twitterfeed
Aves foram encontradas em residência no bairro Saudade
A equipe de Fiscalização Ambiental da secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Barra Mansa apreendeu na quinta-feira, dia 29, 18 pássaros silvestres. As aves foram encontradas em uma residência na Avenida Homero Leite, no bairro Saudade. Os agentes chegaram ao local após uma denúncia anônima.
Deacordo com a equipe de fiscalização, os pássaros estão sendo tratados e alimentados no Parque da Cidade. Nesta quarta-feira, dia 03, eles vão ser encaminhados ao CETAS – Centro de Triagem de Animais Silvestres, que fica em Seropédica.
Lei - De acordo com o artigo 29 da Lei Federal 9.605, de 1998, regulamentada pelo artigo 24° do Decreto 6.514, de 2007, manter animais silvestres em cativeiro sem a devida licença e/ou autorização do órgão competente é crime. A multa podevariar de R$ 500 à R$ 5 mil por espécie, e o infrator poderá ainda responder administrativa e criminalmente.
As denúncias podem ser feitas na secretaria municipal de Meio Ambiente, através do telefone (24) 3322-9100, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17 horas. Aos sábados, domingos e feriados e após 17 horas, as denúncias são recebidas pelo telefone (24) 3322-7817.
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