quarta-feira, 24 de abril de 2013

Rio não divulga lista das áreas contaminadas, alimentando inseguranças


O GLOBO percorreu quatro áreas com contaminações de solo no Rio e moradores reclamam da falta de informação
EMANUEL ALENCAR (

20/04/13 - 17h00
Atualizado:
21/04/13 - 3h12

Moradores do Volta Grande IV caminham ao lado de placa que alerta para a contaminação do solo por resíduos siderúrgicos: Inea quer a retirada das pessoas da área Carlos Ivan
RIO - Em busca de paz, o médico aposentado Carlos França, de 63 anos, deixou a metrópole e comprou um terreno na pacata Miguel Pereira, Centro-Sul Fluminense, em 2008. Ao inspecionar o quintal, notou que havia uma perfuração no solo. O corretor de imóveis logo o tranquilizou: tratava-se de um poço de monitoramento da qualidade da água, zelo ambiental da prefeitura. No entanto, a realidade se mostrou diferente. Nos últimos seis meses, funcionários de uma empresa terceirizada da Petrobras fizeram sete novas perfurações no terreno. França finalmente descobriu que, na verdade, seu espaço é alvo de investigação em decorrência de um vazamento de óleo ocorrido há 29 anos. O aposentado não pode comer frutos, usar água subterrânea e sequer construir uma piscina. A contaminação por hidrocarbonetos expõe ao risco famílias do bairro de classe média Estância Aleluia.

Situações como essa não são raras no Estado do Rio, mas a falta de transparência nas informações alimenta inseguranças. A Secretaria estadual do Ambiente não disponibiliza ao público o relatório das áreas contaminadas, conforme prevê uma resolução federal de 2009. Em São Paulo, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) faz esse tipo de divulgação na internet há 11 anos — o último levantamento aponta 4.131 terrenos investigados.
Na última semana, O GLOBO percorreu quatro áreas com contaminações de solo no Rio. Moradores reclamam da ausência de esclarecimentos precisos dos responsáveis pelos danos e dos órgãos ambientais. O pedreiro Elionay Avelino de Souza, de 33 anos, conta que moradores da Cidade dos Meninos, em Duque de Caxias, ainda vivem amedrontados. Há seis décadas, toneladas do composto conhecido como pó de broca (hexaclorociclohexano) provocaram uma onda devastadora, com registros de mortes por câncer. O produto foi abandonado por uma antiga fábrica de pesticidas, mantida pelo governo federal.
Tanto tempo depois, o problema segue sem solução. O Ministério da Saúde informou que, juntamente com a prefeitura de Caxias e o governo estadual, definiu um plano para o recadastramento das cerca de 750 famílias da Cidade dos Meninos.
— Fizeram uma análise da água lá de casa, e parece que está tudo bem. Só pedimos a Deus que nada de grave aconteça — diz Elionay.
A lista dos “barris de pólvora” no estado não é desprezível. O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, afirma, entretanto, que a pasta sabe quais são essas áreas. Minc garante que até o fim do ano o inventário dos pontos contaminados estará disponível no site do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). O sistema de informação ainda está em desenvolvimento.
— Temos ciência dos problemas. Mandamos as empresas descontaminarem. O estado não gastou um tostão para resolver o passivo da Ingá Mercantil (em Itaguaí). Brigamos na Justiça, que queria empurrar a conta para o contribuinte. A Usiminas bancou. Chegamos a uma solução ambiental e econômica. E descontaminamos o Canal do Cunha e do Fundão com R$ 300 milhões da Petrobras — diz o secretário.
O geólogo do Instituto de Geociências da USP Rodrigo Coelho, especialista no assunto, lembra que a descontaminação de terreno exige análise de riscos e estudos aprofundados. A responsabilidade de reparar os danos ambientais é de quem poluiu, conforme estabelece o princípio do poluidor-pagador, previsto na Política Nacional de Meio Ambiente (lei 6.938/81).
Em Miguel Pereira, avalanche de dúvidas
Moradores de Miguel Pereira enfrentam uma batalha de desfecho imprevisível. De acordo com a Petrobras, em 1984 cerca de cinco mil litros de gasolina vazaram do Oleoduto Rio-Belo Horizonte (Orbel I), no bairro Estância Aleluia. Na época, a empresa adotou medidas emergenciais, como a reparação do duto e a retirada superficial de solo. Novos estudos foram realizados, por meio de sondagens para coleta de amostras de solo e da instalação de poços de monitoramento. Foram ainda feitas análises químicas de solo e água subterrânea. Para realizar os trabalhos, a Petrobras adquiriu duas propriedades e alugou uma outra, no ano passado.
Ainda segundo a estatal, o resultado dos estudos, entregue em 11 de março deste ano ao Inea e ao Ministério Público Federal, indica “pequena concentração de material residual” na propriedade alugada pela companhia, onde não há residência. A Petrobras acrescenta que já foram iniciadas as medidas para a completa remoção do material. E que estão sendo reavaliadas as restrições para captação e utilização da água subterrânea, consumo de frutos e hortaliças e novas construções e escavações.
Quem vive o problema de perto, por outro lado, afirma que o diálogo é bastante difícil. Lucinda de Souza, de 49 anos, comprou uma casa há três anos sem saber do vazamento:
— A gente constrói um sonho e, agora, não tem direito a nada. Não posso fazer uma garagem.
Ney Robinson Gomes D’Oliveira, do bairro Retiro das Palmeiras, detectou um outro vazamento no duto nos anos 80. A Petrobras lhe fornece água em caminhões-pipa desde 1995:
— Esse problema está me matando há 32 anos. Acredito que estejam aguardando a minha morte, a solução mais simples para o caso.
Pelo menos um emblemático caso de contaminação tem uma solução encaminhada: a poluição deixada pela Companhia Mercantil e Industrial Ingá, na Ilha da Madeira, em Itaguaí. Em 1996, dois anos antes de a empresa decretar falência, 50 milhões de litros de água contaminada por metais pesados foram parar na Baía de Sepetiba. A Usiminas, que arrematou o terreno por R$ 72 milhões em 2008, vai entregar a área descontaminada em junho. Em nota, a empresa informou que fez investimentos da “ordem de R$ 100 milhões no projeto de remediação” e que “a recuperação desse passivo possibilitou o confinamento de 100% do rejeito contaminado, eliminando os riscos de contaminação”.


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vizinha da CSN relata histórico de doenças


Siderúrgica, porém, nega que moradores de condomínio estejam em risco
Publicado:
20/04/13 - 17h00
Atualizado:
20/04/13 - 18h25
RIO - Não sai da cabeça da dona de casa Danusa Ferreira, de 39 anos, que a causa de uma série de doenças que acometeu sua família nos últimos anos está no ar que respira e sob seus pés. O medo, compartilhado por muitos vizinhos, foi acentuado nas últimas semanas, após o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) divulgar um relatório alertando para as altíssimas concentrações de poluentes cancerígenos no solo do condomínio Volta Grande IV, em Volta Redonda, no Médio Paraíba. No ano passado, Danusa foi parar numa mesa de cirurgia para tirar o útero, por causa do aparecimentos de diversos cistos. Agora, os miomas voltaram, nos ovários.

Em sua casa, os problemas não param por aí. A filha, de 11 anos, sofre de leucopenia, doença marcada pelo baixo número de leucócitos no sangue. Seu marido também passou por uma cirurgia, alguns anos atrás, após desenvolver uma sinusite aguda. Já o filho tem uma alergia não diagnosticada, que faz aparecer manchas brancas em sua pele.
— Quando comprei a casa, há 15 anos, andava por essas ruas e sonhava com o meu futuro aqui. Só fomos descobrir que havia algo errado cerca de cinco anos depois. Primeiro, ocorreu um grande vazamento de um líquido branco numa área. A CSN comprou as quatro casas do local e cimentou tudo, transformando numa quadra de futebol. Depois soubemos que, naquele ponto, havia um depósito químico enterrado. Em todo o condomínio, quando furávamos o chão para ampliar nossas casas, brotava esse líquido branco com cheiro forte. Demorou até a CSN nos proibir de mexer na terra sem equipamentos de proteção — conta Danusa.
A CSN nega os perigos à saúde, embora um estudo feito pela Waterloo Brasil, a pedido da própria siderúrgica, em 2001, aponte trechos de algumas ruas como tendo concentrações de naftaleno e outros compostos “acima do limite de intervenção”.
Praças cobertas por cimento
Diversas praças de terra estão sendo cobertas por cimento. Segundo os operários das firmas terceirizadas, o serviço foi contratado pela CSN. Perguntada, a empresa não respondeu se solicitou a impermeabilização do solo. Os funcionários não foram informados sobre os riscos de contaminação e trabalhavam, sem o uso de luvas, num local onde ainda é possível ver o líquido branco brotando do solo. Tampouco sabiam sobre a proibição de comer frutos das árvores do local.
Danusa conta que ela e outros vizinhos chegaram a pegar a escória (resíduo) diariamente despejada num terreno vizinho ao codomínio para cimentar o chão das casas, antes de saber do perigo. Depois, a CSN ergueu um muro isolando o local. Placas instaladas pela própria empresa no condomínio alertam para “potencial risco à saúde em caso de cultivo de vegetais, uso da água de poços caipira/cacimba, escavações”.
Apesar disso, são diversas as árvores frutíferas no terreno. Crianças que estudam no Ciep do Volta Grande IV não hesitam em beber a água dos cocos retirados dos coqueiros existentes na rua principal. Há ainda pés de acerola, laranjeiras e cana-de-açúcar. Até hoje, nenhum exame foi feito nos moradores, para verificar se há o acúmulo de substâncias tóxicas no organismo dos 2.200 habitantes do bairro.


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Campos minados: a situação de quatro terrenos contaminados no Estado do Rio


Campos minados: a situação de quatro terrenos contaminados no Estado do Rio

Lixo siderúrgico em Volta Redonda, poluição por metais pesados em Itaguaí, solo contaminado por óleo em Miguel Pereira e dano ambiental causado por pó de broca em Duque de Caxias
VOLTA REDONDAMIGUEL PEREIRAITAGUAÍDUQUE DE CAXIAS
http://oglobo.globo.com/infograficos/contaminacao-solo-rj/
Volta Redonda
SUL FLUMINENSE
Em 1993, no ano da privatização da CSN, a companhia doou o terreno onde seria erguido o bairro Volta Grande IV ao Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense. A licença ambiental para a construção do bairro foi concedida pela Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema), órgão do governo estadual que na época era responsável pelas autorizações. Em 2000, com o bairro já consolidado, moradores repararam que o solo continha uma água branca com forte odor. A CSN chegou a distribuir folhetos proibindo o consumo de frutas e hortaliças que brotassem da terra e de água de poços. Foi descoberto que no subsolo havia contêineres de percolato, substância química. Um terreno vizinho ao condomínio recebe ainda, diariamente, escória da CSN.

Poluição da Praia de Monsuaba ainda incomoda moradores


Publicado em 23/04/2013, às 15h41

Última atualização em 23/04/2013, às 15h41
Angra dos Reis

A poluição da Praia de Monsuaba em Angra dos Reis ainda incomoda os moradores. Apesar de várias reclamações, o projeto que prevê a limpeza do local e a urbanização da praia não tem data para ser iniciado.

- Desde que me entendo por gente a praia é assim, e ninguém faz nada para mudar. Já nos cansamos de reclamar, reclamar, e as obras nunca começam. É uma vergonha para todos nós. Há anos tentamos resolver essa situação e nada. E não é um ou outro problema, são vários em um local só. A nossa comunidade precisa de atenção, precisa que olhem para a gente de verdade, pois não adianta vir no bairro dizer que vão fazer isso ou aquilo e nunca acontece nada. Precisamos de melhorias urgentes e verdadeiras - ressaltou a moradora Luiza Rios.

Esgoto a céu aberto, mau cheiro, lixo, entulho, tudo se concentra na beira do mar do bairro Monsuaba. Além de ter sido classificada imprópria para banho há mais de 10 anos, a praia recebe todo o esgoto da localidade sem tratamento. No local, uma ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) existe, mas não funciona.

O comerciante Marco Aurélio Lopes, de 46 anos, por exemplo, trabalha em um restaurante próximo à saída da rede de esgoto que desemboca no mar, e conta como o constante mau cheiro do esgoto prejudica.

- Moro há 28 anos no bairro, e sempre foi assim. A praia está imunda, repleta de lixos, e para completar todo o esgoto do bairro é jogado no mar sem tratamento nenhum. Além de contaminar a água, nos atrapalha, porque muita gente reclama do cheiro ruim. No meu restaurante então, tem dias que o cheiro é insuportável - afirmou Marco Aurélio.

A areia da praia também é alvo de muitas reclamações, porque além de estar misturada com a lama - característica de praias de fundo de baia - vive repleta de entulhos.

- Cada dia aparece mais lixo na praia, junta bichos e vira um nojo. Apesar da praia não ser liberada e não usarmos a areia, isso é ruim porque traz uma aparência péssima para o bairro. É um descaso gigantesco com a nossa comunidade - destacou o morador Fábio Antunes.

Além do esgoto sem tratamento e do acúmulo de lixo, os constantes deslizamentos de terra na região também afetam a praia de Monsuaba. O barro que desce das encostas da rodovia Rio-Santos cai direto na praia, sujando ainda mais o local. O morador Rogério Vilela ressalta que os problemas no bairro não são de hoje, e incomodam a muitos.

- Como se já não bastasse as inúmeras valas negras no bairro, temos uma vala que joga todo o esgoto no mar, acumula lixo, ratos e todos os tipos de sujeira. A praia de Monsuaba já está bastante maltratada por anos de descaso do poder público. Sem falar que ao lado dessa imundice toda, existe uma praça, e um campo, onde muitas pessoas usam. É um absurdo isso tudo - disse o morador.

O projeto de despoluição e urbanização da praia de Monsuaba foi elaborado há quatro anos, porém até hoje ainda não saiu do papel. Segundo a presidente da Associação de Moradores da Monsuaba, Marlene Dias Tavares, isso parece estar longe de acontecer.

- Já fomos várias vezes à prefeitura com ofícios solicitando o cronograma dos projetos, e cada hora recebemos uma resposta diferente, um motivo novo para a demora nas obras - destacou ela.

De acordo com a secretaria de Obras do município, antes de realizar a despoluição do local, o objetivo é fazer o desassoreamento do rio que deságua no mar; e a drenagem das águas que descem das encostas da rodovia Rio-Santos e caem direto na praia. Porém, o desassoreamento ainda está em fase de aprovação no Inea (Instituto Estadual do Ambiente). E a drenagem está em período de estudo. O DIÁRIO DO VALE tentou entrar em contato com o Inea, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Leia mais: http://diariodovale.uol.com.br/noticias/4,72451,Poluicao-da-Praia-de-Monsuaba-ainda-incomoda-moradores.html#ixzz2RNCyNlZH

Alerj vai acompanhar fim dos lixões


CTR de Barra Mansa: Local foi pioneiro na região, e tem capacidade para 950 toneladas de lixo e 50 operações de depósitos por dia
Rio
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) instala amanhã (24), às 14h, uma Comissão Especial para acompanhar o fim dos lixões no estado, e a implantação dos novos aterros sanitários, chamados de CTR (Centro de Tratamento de Resíduos).

A comissão é formada e presidida pela deputada Janira Rocha (PSOL), autora do pedido de criação da bancada completada pelos parlamentas: Edson Albertassi, Graça Matos (ambos do PMDB), Dr. José Luiz Nanci (PPS), André Corrêa (PSD), Gilberto Palmares (PT) e Aspásia Camargo (PV).

De acordo com Janira, o trabalho da Comissão será voltado principalmente para verificar, se o processo de implantação no Rio dos aterros sanitários controlados, os chamados CTRs, está respeitando a Lei Federal 12.305/2010, a chamada ‘Lei do Lixo', que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

A principal preocupação, segundo a deputada Janira Rocha, é com a situação dos catadores, que sobrevivem hoje recolhendo materiais recicláveis nos lixões e vão perder suas fontes de sobrevivência.

Segundo Janira, estima-se que nos próximos anos serão encerrados cerca de 30 lixões nos municípios fluminenses onde trabalham milhares de catadores, e por isso, esses precisam ser incorporados em programas municipais de coletas seletivas e na cadeia produtiva da reciclagem.

- Estas famílias encontram-se em uma profunda invisibilidade social e excluídas economicamente, foram abandonadas historicamente pelo Poder Público. Além de não se beneficiarem dos vultosos lucros das empresas concessionárias privadas que gerenciam os serviços de coleta, transporte, tratamento e destinação final do lixo urbano dos municípios - disse Janira.

Segundo a deputada, dados oficiais, apontam que a chamada "conta lixo" consome aproximadamente 18% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional. A comissão vai funcionar por 120 dias, podendo ser prorrogada por mais tempo.

Barra Mansa tem o primeiro CTR da região

O primeiro CTR da região foi inaugurado em abril do ano passado. Localizada na estrada Barra Mansa/Bananal, o Centro de Tratamento tem capacidade para 950 toneladas de lixo e 50 operações de depósitos por dia, a CTR recebe os resíduos de Barra Mansa e também de Volta Redonda, totalizando 250 toneladas de resíduos por dia.

Os ex-catadores do antigo lixão da cidade foram integrados ao quadro de cooperados da Coopcat (Cooperativa Mista de Catadores de Materiais Recicláveis) - responsável pela coleta seletiva em Barra Mansa.

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